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Nova rebelião em presídio do AM deixa quatro mortos



Da Deutsche Welle

Quatro pessoas foram mortas durante uma rebelião na Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, no centro de Manaus, na madrugada deste domingo (08/01), informou o governo do Amazonas.

Segundo o secretário de Administração Penitenciária do estado, Pedro Florêncio, o motim começou por volta das 5h (horário de Brasília) e a situação foi controlada. Dos quatro mortos, três foram decapitados e um morreu por asfixia.

Equipes do Instituto Médico Legal (IML), da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros foram mobilizadas. Familiares que iniciaram um tumulto em frente ao presídio em busca de informações sobre os detentos foram dispersados com spray de pimenta pelo batalhão de choque.

A penitenciária recebeu ao longo da semana cerca de 280 detentos transferidos do Complexo Penitenciário Anísio Teixeira (Compaj), também em Manaus, depois da chacina no local que resultou na morte de 56 presos.

Na tarde de sexta-feira, houve tumulto na unidade, com presos reclamando sobre a estrutura deteriorada do local. A cadeia pública Vidal Pessoa estava desativada desde outubro de 2016 após recomendação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e foi reaberta para abrigar os detentos. 

Segundo o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, os detentos devem permanecer no local, que está em obras, por cerca de três meses.

Massacres

Também na sexta-feira, 33 presos foram assassinados na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (PAMC), na zona rural de Boa Vista. O governo de Roraima decidiu refazer o pedido de envio da Força Nacional para o estado. Um requerimento de ajuda federal foi feito em novembro do ano passado depois da morte de dez detentos no presídio, mas foi negado pelo Ministério da Justiça.

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e as seccionais do Amazonas e de Roraima anunciaram que vão acionar a Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o Estado brasileiro em resposta aos dois massacres. As ONGs Anistia Internacional e Human Rights Watch acusaram as autoridades responsáveis pelo sistema carcerário brasileiro de negligência.