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Ao poeta Chico



Por Carlos Laerte - Foto: Serio de Sa

Quis a mão divina do maior poeta que o mundo deu, ser o Dia da Poesia a mesma data que Chico nasceu. Filho da Paraíba e  nordestino como todo irmão seu, este Chico, talvez por descender das pedras, pois Pedrosa é o sobrenome que acolheu, veio comemorar em Petrolina o aniversário mais bonito que a poesia já concebeu. 

Tinha mesmo que começar em versos esta história que agora vou contar. Foi bonita a festa dos 80 anos do amigo e mestre Chico Pedrosa, comemorados neste 14 de março - mesma data em que nasceu, no ano de 1847, o poeta Castro Alves, e por isso mesmo consagrado o Dia da Poesia. O evento, ápice mais esperado da 2ª edição do Encontro de Educação e Cordel de Petrolina – Edu...Cordel, ocupou todas as poltronas do Teatro Dona Amélia (Sesc de Petrolina). Passava um pouco das 20h, quando o idealizador do encontro e poeta Maviael Melo deu as boas vindas ao público, já chamando ao palco a primeira das atrações, o próprio Chico Pedrosa. Daí em diante uma sucessão de agradáveis encontros poéticos tocou a noite feito vara curta, que emociona quando junta o verso à musicalidade. E tome poesia no Sertão Caboclo em Maurício Menezes, na emoção à flor da pele de Lirinha e no dedilhar/delirar de Renan Mendes, Edésio César e Silvino Júnior. Sanfona, violão e percussão a dizer pra uma gente atenciosa como toca a amizade quando bate forte o coração. E vem mais Mariano Carvalho, Marcone Melo e João Sereno, clareando a noite e serenando o teatro como se o telhado estivesse todo cheio de furos, brechas falantes. É, deu pra ver as estrelas e a lua quando Chico falou os versos seus e Clênio Sandes declamou a mulher e a natureza dos filhos que não são ateus. Um amigo que não estava presente, Adilson Medeiros, um dia me disse que o poeta é aqui na terra o irmão mais moço de Jesus. Acho que foi por isso que estávamos tão em paz quando o violão de Mario Ulloa cruzou as cordas do bandolim de Armandinho Macedo. Por um momento, parecia um Condor, que planando qual Vim Vim, tocou nossa alma deixando em tudo um pedacinho do céu. E nesse clima de verdades e simplicidade, de rimas e oralidade nordestina, nos despedimos cantando parabéns pra você Chico Pedrosa, que poetizando a natureza e o humano diz muito da vida e praticamente tudo de todos nós. A 2ª edição do Encontro de Educação e Cordel de Petrolina – Edu...Cordel, começou na sexta-feira (11) na escola NM 11 do projeto de irrigação Senador Nilo Coelho com o lançamento de um livro produzido pelos alunos das oficinas de cordel. Depois, um bate-papo e uma cantoria com os artistas Josemar Pinzoh, João Sereno e Mariano Carvalho. A segunda ação, aconteceu na segunda-feira (14) no Teatro Dona Amélia com um bate-papo reunindo pesquisadores, cantadores e educadores. Para falar sobre música, cordel, educação e cidadania, foram convidados Armandinho Macedo, Mário Ulloa, Socorro Lacerda, Maviael Melo e o poeta Chico Pedrosa. E pra encerrar esta história, peço emprestado estes versos que Maviael Melo fez, deixando escrito nas margens o que o povo já aprendeu: “Quem desenha num verso um luar/ E descreve com rimas a emoção/ Tem também o poder da criação/Que deságua no rio de alegria/ O Velho Chico emana poesia”.