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PSOL pede que governo Paulo Câmara abra as contas do Estado

Por Ayrton Maciel do Jornal do Commercio | Foto: Guga Matos/JC Imagem

Em sessão marcada pela repetição do tema principal do semestre passado – a responsabilidade do Estado ou da União pelas obras paradas em Pernambuco –, o deputado Edilson Silva, do PSOL, que é oposição aos dois governos, pediu, nesta segunda-feira (03), a abertura das contas da gestão estadual pelo governador Paulo Câmara (PSB).

Citando os cortes no custeio, o contingenciamento de despesas e o “aperto” salarial dos servidores, Edilson colocou a abertura das contas como condição para o governo conseguir o diálogo e poder pedir paciência à oposição com a situação financeira do Estado. “Transparência é questão de vontade política. Se o governo tiver vontade, o debate fica melhor e mais a favor do Estado”, cobrou o deputado.

A cobrança foi o diferencial no debate dos deputados estaduais, no retorno da Assembleia Legislativa, ontem, depois do recesso de julho, marcado por um tema que se repetiu exaustivamente no semestre passado: “de quem é a culpa pelas obras paradas e a queda dos serviços públicos em Pernambuco?”.

A troca de responsabilidade entre os governos nacional e estadual acirrou o debate entre a base de apoio de Paulo Câmara, liderada pelo PSB, e a oposição formada por PTB, PSOL e PT, este último que optou pelo silêncio no plenário.

A oposição voltou a creditar à gestão estadual as dificuldades na infraestrutura, saúde e educação e acusou o aumento dos crimes de morte. “Inaugurar praça não é papel de governador. Em sete meses, qual a grande obra?”, questionou o líder Sílvio Costa Filho (PTB).

Em revide, o líder do governo, Waldemar Borges (PSB) responsabilizou a presidente Dilma (PT) pelas dificuldade financeiras dos Estados brasileiros, consequência de erros de gestão que levaram à crise econômica do País. “Pernambuco arca com os erros do governo federal. Agora, a gente tem ver é o foco (raiz) do problema, e ele está no atual e anacrônico pacto federativo”, defendeu um novo pacto Borges.

A deputada independente Priscila Krause (DEM) protestou pela repetição do debate na Casa, ironizando quanto ao conteúdo: “Estamos discutindo qual o pior o governo: o federal ou o estadual”, disse. “Esse debate não serve mais. O governo do Estado é que precisa ser racional. Abra as contas”, reforçou Edilson Silva.

GESTO

O governador Paulo Câmara participou de almoço com os deputados, nesta segunda-feira (03), no “buraco frio”, o espaço reservado da Alepe para as articulações políticas. A convite de Guilherme Uchoa (PDT), presidente da Casa, Paulo cumprimentou a todos, mas não fez pronunciamento político. O gesto foi entendido como de abertura ao diálogo com os deputados em momento de dificuldades do Estado.