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Com simulador de direção obrigatório, carteira fica R$ 300 mais cara


A partir de janeiro de 2016 tirar a habilitação ou fazer mudança de categoria significará mais técnica e, provavelmente, mais custo. Um ano depois de desistir da exigência do uso de simuladores de direção veicular nas autoescolas, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) voltou atrás na decisão e tornou obrigatória a implantação dos equipamentos, dando aos Centros de Formação de Condutores (CFCs) até o dia 31 de dezembro para se adequar. Diante do novo investimento, as autoescolas já avisam: a expectativa é de que haja um incremento entre R$ 300 e R$ 350 no custo atual pago para a retirada das CNHs.

A volta da obrigatoriedade dos simuladores foi um pedido dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans) de todo o País – o Detran–PE entre eles. Nas idas e vindas das decisões do Contran, cinco Estados brasileiros decidiram exigir o uso dos equipamentos desde dezembro de 2014, embora no País fosse facultativo. São eles: Acre, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Sul e Tocantins. “A decisão do Contran é certíssima. O pedido para que voltasse a exigir os simuladores foi feito por unanimidade pelos 27 Detrans do País. Os simuladores agregam técnica aos candidatos, permitindo que eles experimentem simulações de situações reais, que às vezes não conseguem vivenciar na prática, nas aulas dos CFCs. É o caso das aulas noturnas, por exemplo, que algumas autoescolas não conseguem praticar”, argumenta o diretor-geral do Detran–PE, Sebastião Marinho.

As situações citadas pelo diretor–geral são aquaplanagem, aclives e declives e direção noturna, com baixa visibilidade. “O uso do simulador antecipa as aulas práticas. É mais um experiência para o candidato, principalmente em relação à direção noturna. E para evitar que o custo seja repassado de forma abusiva à população, baixamos uma portaria estabelecendo que o valor mínimo para a retirada de uma CNH em Pernambuco é de R$ 700 e o máximo de R$ 1.200”, explica Sebastião Marinho. Pela Resolução 543 do Contran, publicada no Diário Oficial da União de segunda–feira (20), das 25 horas/aula mínimas exigidas para obtenção da CNH na categoria B, cinco horas/aula serão no simulador de direção veicular, das quais uma hora terá que ter conteúdo noturno. As outras 20 horas/aulas continuam sendo em veículos de aprendizagem (carro), com quatro horas no período noturno. O mesmo vale para os casos de adição para a categoria B.

Pelo menos em Pernambuco, os CFCs não desconstroem a eficiência dos simuladores, apenas ressaltam que eles custam caro e, por isso, a despesa terá que ser repassada aos candidatos. “Um simulador custava, em 2014, R$ 40 mil. É um valor muito alto de investimento, ainda mais no momento atual, de crise nacional. Não temos como não repassar. Estados que já adotaram o simulador repassaram entre R$ 300 e R$ 350 para a retirada da CNH. Cada aula de simulador custa, em média, entre R$ 60 e R$ 80”, argumentou o presidente do Sindicato dos CFCs de Pernambuco, Igor Valença. A categoria se reúne nacionalmente na próxima segunda-feira (27/7), em Curitiba (PR), para discutir como dividirá os novos custos.